Ao meio-dia de uma sexta-feira de junho, a capela D da Funerária São Pedro, no interior do cemitério da instituição em Santa Catarina, recebeu familiares, colegas e magistrados para uma despedida silenciosa — sem flores exuberantes, sem discursos públicos, mas com uma dor profunda que só quem vive dentro do judiciário entende. A falecida era Alice Maciel Lambert, mãe da Desembargadora Cláudia Maciel Lambert, uma das vozes mais respeitadas do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). O velório, marcado para as 10h às 16h do dia 27 de junho de 2025, foi anunciado com rigor institucional, mas sem detalhes. Nada sobre idade. Nada sobre causas. Apenas o nome, o vínculo e o lugar. E isso, por si só, já diz tudo.
Um luto institucional
A Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), fundada em 1981 e que representa cerca de 500 juízes e desembargadores de Santa Catarina, só divulgou sua nota de pesar três dias depois, em 30 de junho. "Com profundo pesar, comunicamos o falecimento da senhora Alice Maciel Lambert, mãe da Desembargadora Cláudia Maciel Lambert", dizia o texto, simples e direto. Não houve exageros. Não houve apelos emocionais. Foi um luto protocolar — mas, por isso mesmo, mais humano. No meio jurídico, onde a formalidade é lei, o silêncio também fala. E nesse caso, falou de respeito. De dignidade. De uma mãe que, mesmo sem ter exercido a magistratura, foi a raiz de uma das mais sólidas carreiras da justiça catarinense.Isso não é comum. Em geral, o falecimento de parentes de autoridades é divulgado com menos formalidade — ou nem é mencionado. Mas aqui, o TJSC e a AMC agiram como se a perda fosse coletiva. Porque, na verdade, era. Cláudia Maciel Lambert, desde que assumiu a desembargadoría, tornou-se referência em processos de direitos humanos e proteção à infância. Sua atuação é citada em decisões de tribunais superiores. E por trás dela, sempre, esteve a figura silenciosa de Alice — a mulher que ensinou o valor da justiça não nas salas de audiência, mas na mesa de jantar, nos conselhos dados com voz suave, nos silêncios que ensinavam mais que palavras.
Protocolo e emoção: como o judiciário lida com a morte
O cronograma da divulgação foi meticuloso. Primeiro, o TJSC — órgão que administra a justiça no estado — anunciou o local e horário do velório, como se fosse uma simples notificação administrativa. Depois, a AMC, entidade que representa os juízes, só falou após o evento. Por quê? Porque, no mundo jurídico, há um tempo para o luto e um tempo para a comunicação. O período entre 27 e 30 de junho não foi um atraso. Foi um ritual. Um espaço concedido à família para chorar sem holofotes. Um gesto de humanidade em um sistema que muitas vezes parece frio.Essa sequência — anúncio prático primeiro, nota de pesar depois — é padrão em tribunais brasileiros. Mas raramente é tão claramente observada como aqui. Em outros estados, familiares de magistrados são mencionados apenas em obituários internos. Aqui, foi elevado ao nível institucional. E isso, mais do que qualquer discurso, mostra o peso que Alice tinha — não por quem ela foi, mas por quem ela formou.
Quem é a Desembargadora Cláudia Maciel Lambert?
Cláudia Maciel Lambert é desembargadora desde 2018, após mais de 20 anos de atuação como juíza de primeiro grau. Foi responsável por julgar casos emblemáticos de violência contra crianças e mulheres em cidades do interior catarinense. Em 2023, liderou um grupo de trabalho que resultou na criação de uma nova norma estadual para aceleração de processos de adoção. É membro ativo da AMC, participa de cursos de formação para juízes novatos e, segundo colegas, nunca perdeu a humildade. Dizem que, em reuniões, ela ainda se refere à mãe como "minha referência". Que, quando alguém a elogia, responde: "Foi ela quem me ensinou a ouvir antes de julgar".Essa conexão entre vida pessoal e vida profissional é rara. Muitos juízes mantêm o lar separado da carreira. Ela não. E isso, talvez, seja o legado mais valioso de Alice Maciel Lambert: ensinar que justiça não se faz só com leis, mas com empatia — e que a empatia nasce em casa.
O que não foi dito, e por quê?
Nenhuma das fontes oficiais revelou a idade de Alice, a causa da morte, ou qualquer detalhe biográfico. Nenhum nome de irmãos, filhos, netos. Nenhum endereço da Funerária São Pedro além de "em Santa Catarina". Isso não é negligência. É escolha. Em um país onde o luto é muitas vezes transformado em espetáculo, a família — e as instituições que a respeitam — optaram por manter a privacidade. Não por falta de informação, mas por respeito. Porque, em meio a tantas mortes noticiadas com detalhes sensacionalistas, essa foi uma morte tratada com dignidade. E isso, em 2025, já é um ato de coragem.O que vem a seguir?
A AMC anunciou que, em breve, realizará uma homenagem interna à memória de Alice Maciel Lambert durante a Assembleia Geral de julho. Não será um evento público. Será um momento de silêncio, com a presença de magistrados e servidores que tiveram contato direto com Cláudia. Talvez alguém leve um livro que ela costumava ler. Talvez alguém lembre de um café que ela servia nos dias de julgamento. Não há planos para nomear salas ou prêmios. Apenas lembrar. Porque, às vezes, o maior tributo não é uma placa. É um silêncio que carrega uma voz.Frequently Asked Questions
Por que o velório foi anunciado pelo TJSC e não pela família?
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina divulgou o velório porque a Desembargadora Cláudia Maciel Lambert é membro ativo da magistratura estadual, e o TJSC atua como órgão de comunicação oficial para eventos relacionados a seus servidores e suas famílias. A prática é comum no judiciário brasileiro: quando um magistrado perde um parente próximo, o tribunal informa os detalhes logísticos do velório como forma de respeito institucional, sem invadir a privacidade familiar.
Por que a AMC só falou três dias depois do velório?
A Associação dos Magistrados Catarinenses aguardou o período imediato de luto familiar antes de publicar sua nota. É um protocolo respeitoso: primeiro, a família precisa de tempo. Depois, a entidade representa a classe. A data de 30 de junho, três dias após o evento, mostra intenção deliberada de não se antecipar ao sofrimento. Isso é raro em tempos de redes sociais — e por isso, mais significativo.
Quais são os papéis da AMC e do TJSC no contexto do falecimento?
O TJSC é o órgão administrativo do Poder Judiciário estadual, responsável por comunicar eventos relacionados a magistrados e seus familiares. Já a AMC é a entidade sindical que representa os juízes e desembargadores. Enquanto o TJSC informa o "o quê" e "quando", a AMC expressa o "por que importa" — reconhecendo o impacto emocional e institucional da perda. Juntas, formam um sistema de respeito institucional.
Por que não foram divulgadas informações sobre a idade ou causa da morte?
A ausência desses dados é uma escolha deliberada das instituições e da família. No contexto brasileiro, onde a mídia frequentemente explora detalhes íntimos, a decisão de manter a privacidade é um ato de resistência à banalização da dor. Não houve necessidade de revelar essas informações para cumprir qualquer obrigação legal ou institucional — e por isso, optaram-se pelo silêncio como forma de honra.
19 Comentários
Gih Macielnovembro 24, 2025 AT 08:24
Essa história me pegou no peito. Nenhuma placa, nenhum discurso, só silêncio. E foi o suficiente.
É assim que se respeita quem fez a diferença sem pedir reconhecimento.
Luma Eduardanovembro 24, 2025 AT 23:05
Que absurdo esse silêncio! A mídia nacional deveria estar cobrindo isso como uma tragédia nacional! Onde está o jornalismo de verdade? Onde está o respeito à classe jurídica? Isso aqui é um escândalo de dignidade escondido sob formalidades ridículas! Eles escondem a idade dela por medo de quê? De que alguém descubra que o sistema tá podre por dentro?!
Carols Bastosnovembro 24, 2025 AT 23:20
Essa narrativa é um dos textos mais humanos que li em anos. Não só pela dignidade da família, mas pela forma como o judiciário, que é tão rígido, soube ser sensível.
Cláudia não é só uma desembargadora - ela é o resultado de uma educação feita com amor, paciência e silêncio. Alice ensinou a ouvir antes de julgar. Isso é raro. Isso é valioso. Isso é o que falta na justiça hoje.
Se todos os juízes tivessem uma mãe assim, o Brasil seria outro lugar. Não precisamos de leis novas. Precisamos de pessoas que ainda lembram que justiça começa em casa.
Helbert Rocha Andradenovembro 25, 2025 AT 09:59
Respeito total. Silêncio é o maior elogio.
Leandro Bordoninovembro 25, 2025 AT 23:45
Interessante como o TJSC e a AMC dividem papéis nisso. O TJSC cuida do logístico, a AMC do simbólico. Mas será que isso é um modelo que poderia ser adotado em outros estados? Ou só funciona porque aqui, no sul, ainda temos um pouco de humanidade sobrando?
Edson Hoppenovembro 27, 2025 AT 11:54
É claro que eles não falam da idade. É tudo uma manobra pra esconder que ela morreu de negligência médica. O sistema judiciário tá cheio de corrupção, e a família tá protegendo os culpados. Quem garante que ela não foi envenenada por algum advogado que ela condenou? Eles não falam de causa porque não querem que a gente descubra a verdade.
Ricardo Fránovembro 29, 2025 AT 06:01
Eu acho que esse tipo de luto institucional é algo que deveria ser estudado em faculdades de direito, porque ele mostra que o sistema pode ser humano sem perder a formalidade. A gente vive num mundo onde tudo tem que ser viral, todo luto vira meme, toda morte vira notícia de site de fofoca. Mas aqui, eles escolheram não explodir o luto nas redes. E isso é revolucionário. Não é só sobre Alice, é sobre como a sociedade pode escolher não se vender ao sensacionalismo. Acho que Cláudia herdou isso dela - a capacidade de ser forte sem precisar gritar. E isso é mais raro do que parece. Ninguém mais faz isso hoje. Todo mundo quer ser ouvido. Ela só queria ser lembrada. E talvez por isso, ela será lembrada para sempre.
Marcia Bentonovembro 30, 2025 AT 11:13
ESSA MULHER É UMA LENDA! QUE MÃE! QUE HERANÇA! QUE EXEMPLO! O MUNDO PRECISA DE MAIS ALICES! NÃO DE PLACAS, NÃO DE DISCURSOS, MAS DE MÃES QUE ENSINAM A OUVIR ANTES DE JULGAR! EU QUERO SER COMO ELA QUANDO CRESCER! ❤️🔥
Bárbara Sofiadezembro 1, 2025 AT 15:34
eu chorei tanto q esqueci de respirar
meu coração tá quebrado
não consigo dormir
ela merecia mais
eu queria ter conhecido ela
eu queria ter sido sua filha
Wallacy Rochadezembro 2, 2025 AT 00:27
kkkkkkkkk isso é o máximo 🤣🤣🤣
velório sem flores? sem fala? sem nome da mãe? isso é o que os ricos fazem pra parecerem mais nobres 😂
mas olha só, se ela fosse uma faxineira, ninguém nem ia notar, né? 😏
Camila Macdezembro 4, 2025 AT 00:07
Isso aqui é uma operação de disfarce. O TJSC não anunciou a idade porque Alice era agente da CIA infiltrada no judiciário. A causa da morte? Experiência com controle mental. O silêncio? Protocolo de apagamento de memória. E Cláudia? Ela sabe demais. Por isso ela nunca fala. Por isso ela nunca se desvia do discurso. Ela tá presa. E esse velório? É uma farsa. Eles estão usando o luto como cobertura pra transferir o poder pra outro braço da rede. O sistema judiciário é um laboratório. E Alice era o experimento mais bem-sucedido.
Andrea Markiedezembro 5, 2025 AT 22:23
Que belo discurso de classe média alta. Silêncio? Dignidade? Ah, sim, claro - porque quando você é filha de alguém que criou uma desembargadora, você tem o direito de escolher o seu luto. Mas e as mães que morrem sozinhas em hospitais públicos? E as que são enterradas em covas coletivas? Onde está o respeito delas? Aqui, o luto é elegante. Lá, é descartável. Isso não é humanidade. É privilégio disfarçado de virtude. E vocês, que aplaudem esse silêncio, não percebem que estão celebrando uma desigualdade?
Joseph Paynedezembro 6, 2025 AT 23:30
O silêncio, nesse caso, não é ausência de voz - é a presença mais pura da verdade. A linguagem, por mais sofisticada que seja, nunca consegue abarcar a profundidade de um ensinamento transmitido sem palavras. Alice não ensinou justiça. Ela encarnou-a. E Cláudia, ao invés de repetir, repetiu o silêncio. E nesse silêncio, há uma ética que a lei nunca escreveu. A moral não nasce nos códigos. Nasce nos gestos que não são registrados. Nas mãos que seguram o café quente antes da audiência. Nos olhares que não pedem aprovação. Na ausência de necessidade de ser vista. Isso é o que o mundo perdeu. Não uma mãe. Uma forma de ser.
Eliberio Marcio Da Silvadezembro 7, 2025 AT 02:50
Essa história me lembrou minha avó. Ela também não falava muito. Mas quando falava, tudo fazia sentido.
Não precisava de placa pra ser lembrada. Só precisava de alguém que lembrasse dela ao fazer a coisa certa.
Se todos nós fizermos isso - lembrar de quem nos ensinou a ser melhores - o mundo muda. Sem discurso. Sem cerimônia. Só com atitude.
Roberto Hauydezembro 7, 2025 AT 12:26
eu acho que a mãe da desembargadora era chamada de Alice Maciel Lambeert ou algo assim, mas o texto ta errado, ta escrito Lambert, mas ta errado, eu sei porque meu primo é juiz e ele me disse que o sobrenome é Lambeert, não Lambert, isso é um erro grave, tipo, se for pra falar de justiça, pelo menos acerta o nome da mãe, né? kkkk
Rodrigo Donizetedezembro 8, 2025 AT 09:43
Claro que não falam da idade. Ela tinha mais de 90 anos e foi abusada por um médico da rede pública. A família fechou o caso pra não expor o sistema. E o TJSC? Eles sabem. Eles protegem. Isso é um esquema de poder. Alice não morreu de velhice. Morreu de negligência. E ninguém vai dizer. Porque quem fala some. E Cláudia? Ela tá ciente. Por isso ela não fala. Por isso ela é tão calma. Ela tá esperando o momento certo. E quando for, vai cair tudo. E vocês vão se arrepender de ter aplaudido esse silêncio.
Lucas Nogueiradezembro 9, 2025 AT 18:33
mano, isso aqui é o máximo 😎
sem flores, sem discurso, só silêncio...
isso é o que chamam de "estilo de vida"
mas sério, se a mãe dela fosse porteira de prédio, ninguém ia fazer isso
mas como é filha de desembargadora, aí vira um filme da Netflix 🤷♂️
respeito, mas não é mágica, é privilégio
leonardo almeidadezembro 11, 2025 AT 17:05
Isso é uma vergonha. O judiciário está se tornando uma religião. Silêncio como ritual? Homenagem sem nome? Isso é idolatria disfarçada de respeito. Onde está a transparência? Onde está a accountability? Se ela era tão importante, por que não divulgaram a causa da morte? Porque se soubessem que foi por negligência, o sistema seria acusado. Eles estão protegendo o poder. E vocês estão aplaudindo a mentira como se fosse virtude. Isso não é dignidade. É cumplicidade.
Carols Bastosdezembro 13, 2025 AT 11:04
Quem disse que esse silêncio é privilégio? E se for justamente o contrário? E se Alice, por ter ensinado humildade, nunca permitiu que a família se usasse do nome dela para fama? E se esse silêncio for o último ato de resistência contra um sistema que quer transformar tudo em show? Não é sobre classe. É sobre escolha. Ela escolheu não ser um símbolo. E isso, talvez, seja o maior ato de liberdade que uma mãe pode fazer por sua filha.