A Polícia Civil de São Paulo está no meio de um imbróglio familiar que mistura crime, herança e um nome que o Brasil jamais esqueceu. A Polícia Civil de São Paulo investiga um furto ocorrido na residência de Miguel Abdalla Neto, médico de 76 anos e tio materno de Suzane von Richthofen, no bairro de Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista. O crime foi registrado na noite de terça-feira, 20 de fevereiro de 2026, dias após o falecimento do médico.
Aqui está o ponto central: a casa estava praticamente vazia desde que o Dr. Miguel foi encontrado morto no início de fevereiro (especificamente entre os dias 8 e 9). O que começou como o luto por uma perda familiar rapidamente se transformou em um cenário de investigação policial, com portas blindadas arrombadas e a sumida de bens de luxo.
O cenário do crime e o rastro de prejuízos
Tudo começou quando a Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi acionada para atender a ocorrência na Rua Baronesa da Bela Vista. Quando os militares chegaram ao local, a cena era clara: a residência havia sido invadida. O detalhe é que os criminosos não levaram apenas joias ou eletrônicos pequenos; eles limparam a casa de forma sistemática.
A lista de itens levados, entregue por Carmem Silvia Gonzales Magnani, prima do médico, é impressionante. Foram 34 itens no total. Entre eles, móveis de madeira, sofás, poltronas, mesas de mármore, uma máquina de lavar roupa e até itens mais inusitados, como dois capacetes de equitação e coleções de CDs e vinis. Documentos e uma quantia não especificada de dinheiro também sumiram.
Mas o prejuízo maior veio com um veículo. Um carro avaliado em R$ 200.000 foi retirado da propriedade sem qualquer autorização judicial. Turns out, a ousadia dos invasores foi registrada em vídeo. Câmeras de segurança flagraram um homem pulando o muro e carregando sacolas, móveis e até uma escada para dentro de uma van.
A sombra de Suzane von Richthofen no caso
A figura de Suzane von Richthofen volta ao centro das atenções policiais. Ela não é apenas sobrinha da vítima, mas agora é alvo de investigação. O motivo? Ela teria entrado e retirado bens da casa sem permissão legal e realizado alterações no imóvel após a morte do tio. O 27º Distrito Policial quer entender por que ela acessou a residência sem a devida autoração judicial.
Para quem acompanha o caso, a situação é delicada. Suzane cumpre pena em regime aberto após a condenação pelo assassinato dos pais em 2002. Se for indiciada por furto agora, as consequências jurídicas podem ser bem mais severas, possivelmente comprometendo sua liberdade atual. Curiosamente, ela ainda não prestou depoimento oficial sobre esse episódio específico do furto.
Guerra de herança: 5 milhões em jogo
Para entender por que a tensão é tanta, precisamos olhar para os números. Miguel Abdalla Neto não deixou filhos e era tutor de seu irmão. O patrimônio deixado é avaliado em R$ 5 milhões. Esse montante tornou-se o epicentro de uma disputa feroz entre Suzane e sua prima, Carmem Magnani.
Carmem, que é empresária, não está apenas denunciando furtos. Ela entrou na Justiça tentando o reconhecimento e a dissolução de uma união estável com o falecido médico, buscando validar seus direitos sobre a fortuna. O clima é de guerra jurídica e familiar, onde cada objeto levado da casa é visto como um golpe no patrimônio final.
Interessante notar que Carmem registrou dois boletins de ocorrência distintos: um para o furto geral da casa e outro acusando especificamente Suzane de ter levado itens, incluindo o carro de R$ 200.000. No dia 10 de fevereiro de 2026, Carmem prestou depoimento, mas, na ocasião, não apontou suspeitos diretos.
Mistério sobre a morte do médico
Enquanto a polícia busca a van e os autores do furto, há outra nuvem de dúvida pairando sobre o caso. A morte de Miguel Abdalla Neto foi registrada como "morte suspeita". O 27º Distrito Policial requisitou perícia técnica para apurar as circunstâncias exatas do óbito, que ocorreu no início de fevereiro.
A conexão familiar aqui é trágica e profunda. Miguel era irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 em um dos crimes mais chocantes da história do Brasil, planejado por Suzane e executado com a ajuda de Daniel e Cristian Cravinhos. Agora, décadas depois, a família se vê novamente envolta em investigações policiais e tragédias.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil já identificou o proprietário da van que aparece nas imagens. No entanto, a linha de investigação inicial indica que o motorista pode não ter participado do crime e deve ser ouvido apenas como testemunha. O foco agora é identificar a segunda pessoa que aparece no veículo e cruzar os dados com os depoimentos de Suzane e Carmem.
O que se sabe até agora é que ninguém foi preso. A Secretaria da Segurança Pública mantém as diligências para fechar o cerco contra os autores do furto e esclarecer se houve conivência de alguém do círculo familiar na facilitação do acesso ao imóvel.
Perguntas Frequentes
O que exatamente foi roubado da casa de Miguel Abdalla Neto?
Foram listados 34 itens, incluindo móveis de madeira, mesas de mármore, sofás, poltronas, uma máquina de lavar, coleções de CDs e vinis, capacetes de equitação, dinheiro e documentos. O item de maior valor foi um carro avaliado em R$ 200.000.
Por que Suzane von Richthofen está sendo investigada?
Suzane é investigada por ter acessado a residência do tio sem autorização judicial e por supostamente retirar bens do imóvel. Carmem Magnani, prima do médico, registrou um boletim de ocorrência acusando-a especificamente de levar itens da casa, incluindo o veículo.
Qual é a origem da disputa financeira entre as familiares?
A disputa gira em torno de uma herança avaliada em R$ 5 milhões deixada por Miguel Abdalla Neto, que não teve filhos. Carmem Magnani busca o reconhecimento de união estável com o médico para ter direitos sobre a fortuna, enquanto Suzane também teria interesse no patrimônio.
A morte do médico é considerada natural?
Não, a morte foi registrada oficialmente como "morte suspeita" no 27º Distrito Policial de Campo Belo. A polícia solicitou perícia para apurar as circunstâncias do óbito, que ocorreu entre os dias 8 e 9 de fevereiro de 2026.
Alguém já foi preso pelo furto dos objetos?
Até as últimas atualizações de fevereiro de 2026, nenhuma pessoa foi presa. A polícia identificou o dono da van usada no crime, mas acredita que ele seja apenas uma testemunha e não o autor do furto.