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Amor ao próximo

Lembra-te sempre do que disse Eumeu, em Homero, a Ulisses, que o não reconhecia, e lhe agradecia os bons tratos: - Não me é lícito menosprezar nem maltratar um forasteiro que vem a minha casa; nem o seria, ainda que estivesse em condição mais vil e desprezível que aquela em que vos encontrais, porque os forasteiros e os pobres são enviados de Deus. - Fala da mesma maneira a teu pai, a teu irmão e ao teu próximo: não me é lícito portar-me mal convosco, nem mo seria, ainda que fosse mais miserável o vosso estado, porque sois enviados de Deus. Epitecto

Amor Divino

De que te queixas? A Divindade deu-te o que há de maior, de mais nobre, de mais divino, deu-te a faculdade de poderes fazer bom uso das tuas qualidades, e de em ti próprio achares os verdadeiros bens. Que mais pretendes? Regozija-te, adora tão carinhoso pai e não deixes de dar-lhe graças no fundo do teu espírito. Epitecto

Não se entristecia Hércules por deixar órfãos os filhos, pois sabia não haver órfãos no mundo, e terem todos os homens um pai que deles cuida e que jamais os abandona. Epitecto

Queixas-te da solidão. A que chamas estar sozinho? Estar separado do comércio dos homens e privado do seu auxílio? Reflete que, bastas vezes, não estamos menos sozinhos em Roma, e no meio dos parentes, dos amigos, dos vizinhos e de um bando de escravos. O que rompe a solidão não é a vida do homem, mas a sua fidelidade e virtude. Deus está contente consigo próprio, e em si acha tudo; procura parecer-te a ele, visto que isto está em teu poder. Fala contigo próprio; quantas coisas não tens que dizer-te e perguntar-te! Para que precisas dos outros? Estás privado de todo auxílio; não tens pais, nem irmãos, nem amigos? Tens, em troca, um pai imortal que não deixa de cuidar de ti, e de prestar todos os auxílios necessários. Epitecto

Somos tão ingratos que, acerca das mesmas maravilhas que a Providência realizou em nosso favor, longe de lhe agradecer, a acusamos, e dela nos queixamos. Não obstante, se tivéssemos um coração sensível e reconhecido, por pouco que o fosse, a menor obra da Natureza bastaria para fazer-nos sentir a Providência e o cuidado que nos dispensa. Epitecto

Aperfeiçoamento

A escolha das amizades não é indiferente. Se com freqüência privas com um vicioso, a não ser que sejas muito forte, é mais fácil temer que te corrompa que esperar que o corrijas. Pois que há tanto perigo no comércio com os ignorantes, é preciso nele agir com muita prudência e sabedoria. Epitecto

Muito bem disse Diógenes que o único meio de estabelecer a liberdade é estar pronto para morrer. Epitecto

Em que empregam o tempo os meninos quando estão sozinhos? Brincam, amassam barro e areia e fazem castelos e palácios, que logo destroem. Assim, nunca lhes falta distração. O que eles fazem loucamente, efeito da sua infância, não o farás tu, racionalmente, e por efeito da sabedoria? Por toda parte dispomos de areia e barro. Em nós próprios temos, portanto, muito que destruir. Logo, se estamos sozinhos, não nos queixemos. Epitecto

Não te impeçam as censuras nem os motejos de teus amigos mudar de vida. Preferes permanecer vicioso e ser-lhes agradável, a ser-lhes desagradável e praticar a virtude? Epitecto

Nem as vitórias dos jogos olímpicos, nem as que se alcançam nas batalhas, tornam o homem feliz. As túnicas que o tornam ditoso são as que logra contra si próprio. São combates as tentações e provas. Foste vencido uma, duas, muitas vezes; combate ainda. Se, por fim, chegares a vencer, serás ditoso pelo resto da vida, como se sempre houvesses vencido. Epitecto

Por que discutir com pessoas que se não rendem às mais evidentes verdades? Não são homens, são pedras. Epitecto

Vais a Roma, empreendes tão grande jornada para obter um cargo mais brilhante que o de que estás revestido. Que jornada empreendeste para melhorar os teus juízos e opiniões? Que consultaste para corrigir o que em ti há de defeituoso? Em que tempo, em que idade cuidaste de examinar os teus juízos? Percorre com a imaginação todos os anos da tua vida e verás que sempre fizestes o que hoje fazes. Epitecto

Auto-estima

Cobres de injúrias uma pedra. Que proveito terás? Não compreenderá nada do que disseres. Imita a pedra e não dês ouvidos às injúrias. Epitecto

Empalideces, tremes, perturbas-te quando vais ver um príncipe ou outro ilustre senhor - Como me receberá? Como me ouvirá? - Vil escravo! Receber-te-á, ouvir-te-á como queira; tanto pior para ele se acolher mal um homem prudente. Podes tu, por acaso, sofrer pelo erro de outrem? Como lhe falarei? - Falar-lhe-ás como te aprouver. - Tenho medo de perturbar-me. - Não sabes falar com discrição, com prudência e com livre dignidade? Quem te aconselhou a temer um homem? Zeno não temeu Antígono, mas Antígono temeu Zeno. Perturbou-se Sócrates quando falou aos tiranos e aos seus juizes? Tremeu Diógenes quando falou a Alexandre, a Filipe, aos piratas, ao amo que o havia comprado? Epitecto

Eu rio dos que pensam que podem me prejudicar. Eles não sabem quem eu sou, não sabem o que eu penso, não podem sequer tocar as coisas que são realmente minhas e com as quais eu vivo. Epitecto

Queres parecer-te ao total dos homens, como se parece um fio da tua túnica aos demais fios que a compõem, mas eu quero esta faixa de púrpura que não somente é bela, como também embeleza tudo aquilo a que se aplica. Por que, pois, me aconselhas a ser como os outros? Se eu fora como o fio, não seria como a púrpura. Epitecto

Caráter

Não é menos prejudicial entregares-te a conversações obscenas. Quando te encontrares nessa espécie de conversações, não deixes, se te permitir a ocasião, de repreender quem estiver com a palavra; se não, guarda, ao menos silêncio, e dá a conhecer, pelo rubor da face e pela severidade do olhar, que te não são agradáveis tais conversações. Epitecto

Reúnes em ti qualidades, cada uma das quais exige deveres que é mister cumprir; és homem, cidadão do mundo, filho dos deuses, irmão dos outros homens. Sob outros aspectos, és senador, ou possuis outra dignidade, és jovem ou velho, filho, pai ou marido. Pensa em tudo aquilo a que te obrigam tais nomes e trata de não desonrar nenhum deles. Epitecto

Determinação

De ti depende fazer bom uso de tudo o que se verifica. Não digas, pois: que sucederá? Que te importa o que possa suceder, se de tudo és capaz de tirar proveito, se de tudo podes fazer bom uso, e qualquer coisa que se realize pode chegar a ser para ti felicidade enorme? Se aos olhos se te apresenta medonha fera, ou tens que sustentar um feroz combate contra homens implacáveis e terríveis, de que te afliges? Se te antolha uma fera, o combate é maior e mais glorioso. Se pelo caminho encontrares homens prodigiosos e intratáveis, terás maior mérito se conseguires, ao vencê-los, livrar deles o mundo. E se eu morrer? Se morreres, morrerás como herói. Que mais podes desejar? Epitecto

Deus

Quando te aproximares dos príncipes e dos magnatas, lembra-te de que há lá em cima um Príncipe ainda maior, que te vê e te ouve, e a quem deves comprazer mais que a qualquer outro. Epitecto

Quando estiveres no teu quarto, de noite, com a porta bem fechada e apagadas as luzes, guarda-te de crer que estás só, que o não estás. Epitecto

Discrição

O sol não espera que lhe supliquem difundir luz e calor. Imita-o e faze todo o bem que puderes, sem esperar que to implorem. Epitecto

Família

Que faz um homem que persegue a mulher do próximo? Pisa o pudor, a fidelidade, infringe as leis da amizade, da sociedade, todas as mais santas leis; não pode ser considerado amigo, nem vizinho, nem cidadão. Nem serve, tampouco, para escravo. É como barco aberto, que só serve para mergulhar. Epitecto

A primeira coisa que é mister aprender é que existe um Deus que a tudo governa com a sua providência e a não podem estar ocultos nem os nossos atos, nem os nossos pensamentos e vontades. Logo, é necessário examinar-lhe a natureza. Uma vez bem determinada e conhecida a sua natureza, é preciso que os que pretendem agradar-lhe e oferecer-lhe, se esforcem por parecer-se a Ele; que sejam livres, fiéis, benévolos, misericordiosos, magnânimos. Todos os teus pensamentos, todas as tuas palavras, todos os teus atos sejam, pois, atos, palavras e pensamentos de homem que imita a Deus e com Ele procura ter alguma semelhança. Epitecto

Estóico quer dizer: um homem que na enfermidade se encontra feliz, que no perigo se considera venturoso, que desprezado e caluniado se acha satisfeito. Motra-me um que esteja no caminho de o ser. Mostra-me um homem conformado com a vontade divina, que jamais se queixa dos Deuses, nem dos homens, que nunca veja frustrado os seus desejos, que de nada se lastime, a quem a cólera nunca assalte, nem a inveja, nem a soberba; que, com o corpo mortal, sustenta um contato secreto com os Deuses e anele despojar-se de uma vestimenta mortal para unir-se à eles em espírito. Epitecto

Se eu fosse rouxinol ou cisne, faria o que deve fazer o cisne ou o rouxinol; mas sou homem, e tenho por patrimônio a razão. Que devo fazer? Louvar a Divindade. É o que farei a vida toda, e exorto todos os homens a fazer o mesmo que eu. Epitecto

Se obrássemos com bom juízo, não faríamos outra coisa na vida pública e particular senão dar graças à Providência por todos os bens que dela recebemos. Lavrando, comendo, passeando, levantando-nos e deitando-nos, diríamos: - A Providência é grande! Tudo repercutiria o eco destas divinas palavras: A Providência é grande! Mas sois ingratos e cegos; é preciso, pois, que o diga eu por vós, e que, velho, coxo, pobre e enfermo, repita sem cessar: Como é grande a Providência! Epitecto

Todos tememos pelo destino do corpo, e na alma ninguém pensa. Epitecto

Felicidade

O característico da verdadeira felicidade é durar sempre e não encontrar obstáculo. O que não possui esses dois caracteres não é verdadeira felicidade. Epitecto

Humildade

Acabas de libertar um escravo. Mas tu, que lhe desta a liberdade, és livre? Não és escravo de teu dinheiro, de tua mulher, de teus filhos, de teu tirano, do último lacaio de um tirano? Epitecto

Se se apresentar oportunidade de falar acerca de uma questão de verdadeira importância na presença de ignorantes, guarda-te de fazê-lo, pois há grande perigo em manifestar, imediatamente, o que se não meditou. Se, por acaso, alguém te censurar e disser que nada sabes, se te não molestar nem te ferir tal censura, será certo que começarás a ser filósofo desde tal momento. As ovelhas não vão mostrar aos pastores o que comeram; pelo contrário, depois de bem digerido o pasto, dão-lhes lã e leite. Do mesmo modo, não deves malgastar, entre ignorantes, belas máximas; procura digeri-las e dá-las a conhecer por meio dos teus atos. Epitecto

Tens febre e te queixas, porque dizes que não podes estudar. Para que estudas, então? Não é para chegares a ser sofrido, constante, firme? Procura ser assim também na febre, e não saberás pouco. A febre é uma parte da vida, como o passeio, as viagens, e é ainda mais útil, porque põe à prova o prudente e lhe dá a ver o progresso que nele se verificou. Epitecto

Inércia

A vida que se passa na suntuosidade e na moleza é uma torrente de águas turvas, espumosas, violentas, tumultuosas e passageiras. A vida empregada na virtude é uma pura fonte cujas águas cristalinas, sãs e frescas, jamais se acabam. Epitecto

Integridade

A escravidão do corpo é obra da sorte. A da alma é obra do vício. Quem desfruta da liberdade do corpo é escravo, se tem agrilhoada a alma; quem tem a alma livre desfruta de inteira liberdade, embora carregado de pesados grilhões. A natureza, com a morte, põe cobro à escravidão do corpo, mas a da alma só cessa com a virtude. Epitecto

Deixas de prestar atenção e confias em que tornarás a prestá-la, quando te aprouver. Uma leve falta descuidada hoje te precipitará amanhã em outra maior, e esta, repetida, formará em ti um hábito que não mais poderás corrigir. Epitecto

Julgas que te direi laborioso, ainda que passes as noites estudando, lendo? Não, sem dúvida. Quero antes saber a que ligas tal estudo e aplicas tal esforço; porque não digo laborioso o homem que vela a noite inteira para ver a prometida; digo que está apaixonado. Se velas pela tua glória, chamo-te ambicioso; se para juntar dinheiro, chamo-te interessado; mas se velas para cultivar e formar a razão, e acostumar-te a obedecer à natureza e a cumprir os teus deveres, somente então te direi laborioso, porque é esse o único trabalho digno do homem. Epitecto

Os verdadeiros dias de festa para ti são aqueles em que venceste uma tentação, em que atiraste para longe de ti, ou pelo menos enfraqueceste, o orgulho, a temeridade, a malignidade, a maledicência, a inveja, a obscenidade das palavras, o luxo ou qualquer outro dos demais vícios que te tiranizam. Isso, muito mais que obter um consulado ou a chefia de um exército, merece que faças sacrifícios. Epitecto

Prescreve-te desde o início certas regras, e observa-as, quer estejas só, quer acompanhado. Epitecto

Quando afirmas que te corrigirás amanhã, é como se dissesses que hoje queres ser imprudente, luxurioso, covarde, iracundo, invejoso, interessado e pérfido. - Mas amanhã serei outro homem. Por que não hoje? Começa, hoje, por preparar-te para amanhã; de outro modo, ficarás sempre no mesmo estado. Epitecto

Se os deuses te houvessem incumbido da guarda de uma pupila, cuidarias dela e não permitirias se perdesse tão valioso depósito. Mas confiaram-te a guarda de ti próprio. Disseram-te: não julgamos poder colocar-te em mãos de tutor mais fiel, mais afetuoso; guarda-nos este filho tal qual é por natureza; conserva-no-lo cheio de pudor, de fidelidade, de magnanimidade, de valor, isento de paixões. E tu te descuidas. Haverá maior crime? Epitecto

Se nasceste de pais nobres, persuadido da tua nobreza, não deixas de tê-la constantemente diante dos olhos, e de com ela aturdir todos. Mas tens a divindade por pai, ela se manifesta em volta de ti, e esqueces-te dessa nobreza e ignoras de onde vieste, e a marca que trazes na testa. Eis aquilo de que deverás lembrar-te em todos os atos da tua vida. Pensa a todo instante: foi a divindade que me criou; está em volta de mim, em mim próprio a levo por toda parte. Por que ofendê-la com pensamentos obscenos, baixas e impuras ações e infames desejos? Epitecto

Liberdade

Ensinam os filósofos que o homem é livre. Ensinam, por conseguinte, a menosprezar a autoridade do imperador? Não. Nenhum filósofo ensina os discípulos a revoltar-se contra o seu Príncipe, nem a subtrair à autoridade dele nada do que lhe está submetido. Tomai, eis o meu corpo, os meus bens, a minha reputação, minha família; entrego-vo-los; e se achardes que ensino alguém a retê-los, matai-me; sou um rebelde. Não é isso o que ensino aos homens; ensino-lhes apenas a conservar a independência das suas opiniões, de que os fez donos exclusivos a Divindade. Epitecto

Lembra-te de que o desejo das honras, da riqueza, não é o único que nos submete e escraviza, senão também o desejo de repouso, de folga, de viagens, de estudo. Numa palavra, todas as coisas exteriores, quaisquer que sejam, nos fazem escravos quando as estimamos. O verdadeiro dono de si próprio e de nós é aquele que tem o poder de dar-nos e tirar-nos o que queremos. Todo homem, pois, que pretenda ser livre, não deseje nem deteste nada do que depende dos demais; a não ser assim, será necessariamente escravo. Epitecto

Quem se submete aos homens já está submetido às coisas. Epitecto

Se amo o corpo, se amo a riqueza, estou perdido. Eis-me escravo. Dei a conhecer o ponto pelo qual posso ser atacado. Epitecto

Supondo que homem livre é aquele a quem tudo sucede como deseja, disse-me um louco, quero que me suceda tudo quanto me aprouver. Meu amigo, jamais andam juntas a loucura e a liberdade. A liberdade não é uma coisa somente belíssima, senão também racional, e não há nada mais absurdo nem mais irracional que desejar temerariamente e pretender que as coisas se verifiquem do modo pelo qual as pensamos. Quando tenho de escrever o nome próprio Díon, devo escrevê-lo não como me agradaria, mas tal qual é, sem a mudança de uma única letra. Sucede o mesmo em todas as artes e ciências. E queres que na maior e mais importante de todas as coisas, como é a liberdade, impere o capricho e a imaginação? Não, meu amigo, a liberdade consiste em querer que as coisas sucedam não como as desejamos, mas como são. Epitecto

Um tirano me diz: - Sou amo, tudo posso. Ah! Que podes? Podes dar-me um claro entendimento? Podes tirar-me a liberdade? Que podes, então? Num barco, não dependes, acaso, do piloto? No teu carro, não dependes do cocheiro? - Todo o mundo me adula e me faz a côrte. - Mas essa côrte te é feita como homem? Demonstra-me que assim és considerado, que todos querem parecer-te contigo, ser teus discípulos, como de Sócrates. - Mas posso mandar que te seja cortado o pescoço. - Dizes bem; havia-me esquecido de que é preciso fazer-te a côrte, como a fazemos aos deuses nocivos, e oferecer-te sacrifícios, como à febre. Ela não tem, em Roma, um altar? Tu o mereces mais que ela, porque és pior. Seja como for, ainda que os teus satélites e toda essa tua pompa espantem e perturbem a via pública, nada do que é exterior conseguirá perturbar-me. Podes ameaçar-me, mas sou livre. - Tu livre? Como? - A própria Divindade me libertou. Pensas que deixará que seu filho caia em teu poder? És senhor do meu cadáver; toma-o, se queres, mas a tua cólera não me atinge o espírito. Epitecto

Medo

Não deve inspirar medo a pobreza, nem o desterro, nem a prisão, nem a morte. O que deve inspirar medo é o próprio medo. Epitecto

Obstáculos

As enfermidades entorpecem os atos do corpo, mas não os da vontade. A coxeadura poderá ser um obstáculo para o meu pé, mas não para mim. Pensa desse modo em todos os acidentes que te ocorrerem, e verás que poderão ser obstáculo para tudo, menos para ti. Epitecto

Paciência

Nada grande se faz de um golpe, nem maçã nem cacho de uvas. Se me dizes: - Quero agora mesmo uma maçã, respondo-te: - Para isso é preciso tempo; espera que nasça, que cresça e amadureça. E queres que o espírito frutifique de uma vez em toda a sua perfeita maturidade. É justo? Epitecto

Precaução

Antes de iniciares um empreendimento, observa cuidadosamente os seus precedentes e conseqüências. Se não observares tal procedimento, sentirás imediatamente prazer em tudo quanto fizeres, porque não terás em conta os resultados que pode oferecer-te; mas por fim, surgirá a vergonha, e ficarás cheio de confusão. Epitecto

O varão prudente aguarda sempre dos maus maior mal que o que deles recebe. Um semelhante me injuria; dou graças por me não haver golpeado. Golpeia-me; dou graças por me não haver ferido. Fere-me; dou graças por me não haver matado. Epitecto

Sabedoria

- Como sou infeliz! Não tenho tempo de estudar nem de ler! - Meu amigo, por que estudas? Por mera curiosidade? Se assim é, bem mísero és efetivamente. Mas o estudo deve ser apenas um preparo para a boa vida. Começa, pois, desde hoje a bem viver; em toda p Epitecto

O começo da filosofia é conhecermos a nossa fraqueza, a nossa ignorância e os deveres necessários e indispensáveis. Epitecto

Se há uma arte de bem falar, há igualmente uma arte de bem ouvir. Epitecto

Não caluniar, não adular, não queixar-se, não acusar, não falar de si próprio como se fosse alguma coisa são sinais certos de que um homem progride na sabedoria. O homem que se encontra em tais circunstâncias vence os obstáculos que se lhe apresentam; se elogiado, ri-se do elogio às ocultas, e, se repreendido, não faz a sua própria defesa; pelo contrário, como os convalescentes, experimenta as forças e treme ao receio de uma recaída no começo da cura, quando a sua saúde não está ainda inteiramente fortalecida. Dominou os desejos de todo o gênero, e só odeia as coisas que contrariam a natureza do que de nós depende; adota para tudo um ar de submissão; não se entristece, quando o dizem simples e ignorante. Numa palavra, está sempre em guarda contra si próprio, como contra homem que lhe prepara constantes ciladas e é o seu pior inimigo. Epitecto

Parecemo-nos aos avarentos que armazenam grandes provisões e, não obstante, permanecem fracos e descarnados, por deficiência de alimentação. Temos sábios preceitos, profundas máximas; mas é para discorrer delas, e não para praticá-las; as nossas palavras são desmentidas pelas nossas ações. Não somos sequer homens, e queremos passar por filósofos; a carga é para nós demasiadamente grande. É como se um homem que não tivesse força para suportar o peso de duas libras, pretendesse suportar a pedra de um moinho. Epitecto

Se queres avançar no estudo da sabedoria, não temas, nas exterioridades, passar por imbecil e insensato. Epitecto

Um médico visita um enfermo e lhe diz: Tens febre; abstém-te por hoje de tomar qualquer alimento, e não bebas mais que água. O enfermo dá-lhe crédito, agradece-lhe e paga-lhe. Um filósofo diz a um ignorante: Os teus desejos são desenfreados, os teus temores são baixos e servis, professas falsas crenças. O ignorante enfurece-se e sente-se ferido no amor-próprio. De que nasce tal diferença? De o enfermo conhecer o seu mal, e o ignorante não. Epitecto

Não depende de ti ser rico, mas ser venturoso. A riqueza nem sempre constitui um bem e, certamente, é pouco duradoura; mas a felicidade que emana da sabedoria é eterna. Epitecto

Não é freqüente ver realizado tudo quanto promete a qualidade de homem. É um animal mortal, dotado de razão, e por ela é que se diferencia dos outros animais. Quando se afasta da razão, oculta-se o homem e surge o animal. Epitecto

Não ornes a tua casa com belas pinturas; pelo contrário, faze que resplandeçam nela, por toda parte, a sabedoria e a temperança. Os quadros não passam de uma impostura para enganar os olhos; a sabedoria é um ornamento real e verdadeiro. Epitecto

Ocupas-te unicamente de habitar suntuosos palácios, de te rodeares de uma turba de lacaios e mordomos, de te vestires magnificamente e de possuíres apetrechos de caça, músicos e tropa de comediantes. Julgas que te invejo por isso? Cultivaste a razão? Trataste de adquirir sãs opiniões e de aproximar-te da verdade? Por que, pois, te envergonhas de possuir eu sobre ti uma vantagem no que descuidaste? É que isso é precioso e grande. Tanto melhor se o sabes; mas quem te impede consegui-lo? Em vez de caçadores, de músicos, de comediantes, rodeia-te de gente sã de entendimento; ninguém pode dispor de mais tempo, de mais livros, de mais mestres do que tu. Começa; dá à razão alguma coisa do tempo que te sobra; numa palavra, escolhe. Se continuares a satisfazer-te com exterioridades, terás, certamente, móveis mais raros e magníficos que os de qualquer outro, mas a tua pobre inteligência, assim abandonada à incúria, ficará no embrutecimento. Epitecto

Saúde

Quando vês alguém cheio de dor e vertendo amargas lágrimas pela morte ou pela partida do filho, ou pela perda de um bem, cuida de que te não seduza a imaginação, persuadindo-te de que tal homem padece verdadeiros males em virtude das coisas exteriores, e faze em ti próprio a distinção de que o que o aflige não é o acidente que lhe sobreveio, senão a opinião que dele tem formada. Se preciso, não recuses chorar com ele e partilhar da sua dor; mas não leves a compaixão ao extremo de te afligires demasiadamente. Epitecto

Tens febre, mas se a tens, como deves, tens tudo o que podes ter melhor com ela. Que é ter a febre como se deve? Não queixar-se dos deuses nem dos homens, não alarmar-se com a idéia do que pode acontecer, esperar valorosamente a morte, não regozijar-se excessivamente quando o médico diz que há melhora, e não afligir-se quando diz que se está pior. Pois, que é estar pior? Aproximar-se do termo e do instante em que a alma se há de separar do corpo. Chamas a essa separação um mal? Ainda que a morte não sobrevenha hoje, deixará, por acaso, de vir amanhã? E contigo terminará o mundo? Permanece, pois, tranqüilo tanto na febre como na saúde. Epitecto

Serenidade

Em todas as coisas deve fazer-se o que de nós próprios depende. Quanto ao resto, mantenhamo-nos firmes e tranqüilos. Sou obrigado a embarcar. Que devo fazer? Escolher cuidadosamente o barco, o piloto, os marinheiros, a estação, o dia e a hora, ou seja, o que de mim depende. Já em alto mar, sobrevem terrível tempestade; não é assunto meu. O barco afunda. Que fazer? Tudo quanto de mim depende: não grito, nem me atormento. Sei que tudo o que nasceu deve morrer; é a lei geral. É preciso que eu morra. Não sou a eternidade, sou um homem, uma parte do todo, assim como a hora é uma parte do dia. A hora chega e passa; eu também chego e passo. O modo de passar é indiferente, quer seja pela febre, quer pela água; tudo é o mesmo. Epitecto

Vais ao anfiteatro e logo te interessas e desejas que tal ator ou tal atleta seja coroado. Querem os demais seja outro o que alcance a vitória. Aborrece-te essa contradição, por seres pretor e pretenderes que todos cedam. Mas não tem os outros opinião própria? Não tem vontade e o mesmo direito de ofender-se por te opores ao que se lhes afigura justo? Se queres permanecer tranqüilo e jamais encontrar oposição, não desejes a coroa senão a quem seja coroado. Ou se queres ser dono de entregá-la a quem mais te aprouver, celebra jogos em tua casa, e então, com a tua própria autoridade, publicarás: este ou aquele venceu nos jogos píticos, ístmicos ou olímpicos. Em público, porém, não te arrogues o que te não pertence, e deixa em liberdade os sufrágios. Epitecto

Simplicidade

Adquiriste belas coisas. Tens muitos vasos de ouro e prata, és rico, mas o melhor te falta: a constância, a submissão às ordens divinas, a tranqüilidade, o estar isento de confusão e temor. Quanto a mim, pobre como sou, sou mais rico que tu. Não me preocupo com ter padrinhos na côrte; não me importo com o que possa dizer-se de mim ao Príncipe, e não faço mal a ninguém. Eis o que me faz gozar de todos os bens. Tens vasos de pedraria, mas todos os teus pensamentos, todos os teus desejos, todos os teus atos, todas as tuas inclinações são de terra. Epitecto

Empreendes uma longa jornada com o propósito de assistir aos jogos de Olímpia, e mais ainda com o de admirar a bela estátua de Fídias, e consideras grande desdita morrer, sem o prazer de vê-los; mas alguma vez te pesou não contemplar obras muito superiores às de Fídias, obras que não é mister procurar tão longe, que não custam tantos trabalhos e esforços, e que por toda parte se nos deparam? Alguma vez te ocorrerá pensar que és homem e que o és por teres nascido? Permanecerás desatento ante o espetáculo tão admirável deste universo que a divindade colocou diante dos teus olhos e que te convida a conhecer? Epitecto

Esperas ser feliz uma vez que tenhas obtido o que solicitas. Enganas-te; terás as mesmas inquietações, os mesmos cuidados, os mesmos aborrecimentos, os mesmos temores, os mesmos desejos. A felicidade não consiste em adquirir e desfrutar do adquirido, mas em não desejar, porque consiste em ser livre. Epitecto

Não pretendas que as coisas sejam como as desejas. Deseja-as como são. Epitecto

Nunca digas: perdi isto, senão: devolvi. Morreu-te o filho? Devolveste-o. Morreu-te a mulher? Devolveste-a. Tirou-se-te a terra? É uma restituição que fizeste. Quem te tira é mau; mas que importa a qualidade das mãos com as quais te é tirada? Usa todas as coisas que estão em teu poder como coisas que te não pertencem, como fazem os viajantes com as estalagens. Epitecto

Ornar a própria morada com móveis preciosos e magníficos é amar o luxo. Ornar a alma com bondade, liberalidade e justiça é ser verdadeiramente magnífico e humano. Epitecto

Se quisermos ser verdadeiros filósofos, tratemos antes de fazer que a nossa vontade se ajuste e acomode aos fatos consumados, para estarmos sempre contentes com o que suceder e o que não suceder. Assim, teremos a grande vantagem de jamais deixar de obter o que desejarmos e jamais cair no que motiva os nossos temores. Passaremos a vida com o próximo sem temor nem perturbação, e conservaremos todos os nossos laços naturais, cumprindo perfeitamente o nosso dever de pais, de filhos, de irmãos, de cidadãos, de esposos, de vizinhos, de associados, de magistrados e de súditos. Epitecto

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Ivo Correia | Frases Prontas | Praia do Aracagi